Hoje a minha vontade era parar.
Parar o meu mundo, a minha cabeça, as coisas como são dentro de mim...
Ser ninguém e não sentir absolutamente nada.
Lutar, tentar e persistir não é algo que tem dado muito certo.
Então, hoje só quero não pensar, não querer, não temer, não chorar, não sorrir, não correr, não esperar, não idealizar, sonhar, acreditar e principalmente, não sentir.
Não há nada que eu queira, além de não 'estar'.
Foram tantas as coisas almejadas, tantos planos, tantos os esforços pra superar a mim mesma, minhas idéias de certo e errado, de bom e ruim, de justo e coerente; superando cada situação como não imaginava ser capaz e até compreendo que possa não ter sido da melhor forma, mas foi com toda a minha capacidade, limitação e vontade de fazer o melhor que eu pudesse, tudo pra ser pelo menos diferente e causar um impacto positivo em quem quer que estivesse por perto e claro que por mim também.
No entanto tudo sem obter sucesso.
O único impacto que pareci causar, foi do quanto posso errar, de como não consigo alcançar os objetivos traçados, de como é pouco e de como posso ser de repente, insaciável, egoísta e incompreensível.
Defeitos todos temos e eles sempre vão fazer parte de nós, o difícil e talvez impossível é quando eles afrontam tão diretamente quem somos e quem amamos, a forma como isso é feito e quando não é aceito ou suficiente, a ponto de colocar o amor que sentimos em questão..., fazendo dele incapaz e comprometido com o fim.
Tão próxima de mim, percebo o quão insuficiente posso ser pra mim mesma e pra quem amo.
Amor imperfeito. Será?
Talvez com o tempo e com o tamanho das perdas eu consiga fazer algo por mim mesma e parar, parar de ser quem sou e parar de sentir como me sinto ou simplesmente parar.
Em controvérsia podemos até tentar, mas algumas vezes não podemos fugir de ser quem somos, entrar em conflito com isso é bobagem, as origens virão sempre à tona para fortalecer aquilo que somos de bom e de ruim, as limitações existem e isto é um fato, a paciência, o respeito e o amor é que fazem a diferença nas nossas relações e nos fazem aceitar a nós mesmos.
Quando temos um ideal lutamos por ele, independente das dificuldades que vão se materializando no percurso.
Daí então quando paramos de cobrar aquilo que no entanto não podemos deixar de ser e olhamos ao redor, podemos achar soluções para sermos melhores, lapidarmos aquilo que a vida marcou e deixou como traço de imperfeição.
Os buracos dentro de nós as vezes nos impedem de ser bons para os outros como gostaríamos, mas o que não significa que realmente não o somos.
Tempo, Paciência, AMOR e um pouco de jeito é o que precisamos para compreender que somos diferentes e únicos tanto nas qualidades como nos defeitos e esta diferença nos faz enxergar que ser assim é o motivo pelo qual nos aproximamos um dos outros, é o que nos faz querer estar junto de alguém, completar-nos nas nossas relações, aprender o novo, o velho sob novo ângulo, respeitar, descobrir como ceder pode nos enriquecer, nos desprender da razão, aceitar que a limitação de quem está do outro lado nos traz ainda mais dignidade, nos faz querer oferecer ao outro sempre o nosso melhor.
Mas quando estas pequenas coisas começam a não fazer mais tanta diferença, o sentido delas se perde junto com as nossas emoções.
Chega a hora de deixar 'de sentir' ou pelo menos tentar, nada mais importa quando nos invalidam os sentimentos.
Anular o que o outro representa pra nós pelas circunstâncias à fora só nos distancia de alcançarmos aquilo porque sempre lutamos.
Independente do que são, é o que temos guardado no coração e também é o que forma nossa essência.
Definitivamente, eu preciso me desligar.
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