"Um dia entendemos que certas palavras são melhores guardadas. Que
quanto menos gente souber o que se passa por detrás de nossa carne, mais
seguros estaremos dentro dela. Confesso que detesto individualismo, mas detesto
ainda mais o fato de que este tem se tornado cada vez mais necessário. Nós
precisamos guardar nossos segredos, se quisermos mantê-los seguros. Precisamos
debater algumas opiniões com o eu interior e ninguém mais, se desejamos viver
em paz com o mundo ao redor. No início, parece egoísmo não gritar felicidade
aos quatro ventos e dividí-la com todos. Mas, se assim fizermos, logo
sentiremos o peso que tem a inveja alheia. Devemos dosar aquilo que mostramos
aos outros hoje em dia. É difícil lidar com um inimigo em qualquer momento,
porém será ainda pior se ele souber das nossas fraquezas. Percebemos que falar
pouco é, na verdade, uma qualidade. E que pode nos poupar grandes dores de
cabeça com as más interpretações. Até pouco tempo, cheguei a achar que todo
mundo gostava de mim e não medi palavras e gestos. Eu me transpareci, deixei
que vissem meus sentimentos e ouvissem minhas opiniões. Contei muito de mim,
soube pouco dos outros. Um dia tive que acordar. Abrir os olhos e perceber que
nem todas as pessoas que nos sorriem, querem nosso bem. Devemos nos proteger,
se não quisermos uma lista de julgamentos errados. Já que, muitas vezes, as
flores mais bonitas tem os maiores e mais cortantes espinhos. Ganham nossa
confiança à distância e, então, nos furam os dedos."

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