segunda-feira, 29 de julho de 2013

Então, assim será e assim que é. Minha ultima lembrança será daquela porta, da porta pra fora. Não quero nada que me lembre as lembranças que já foram. Não quero nem que elas me lembrem, pretendo apaga-las, deleta-las. Todas as pessoas, os lugares, as palavras, os lençóis, as fotos, os vídeos, os textos. Vou ocupar a cabeça com outras coisas, ir em outros lugares, evitar. Sempre odiei ter que mudar a minha vida para evitar pessoas, mas vai ser assim… Porque eu fiquei da porta pra fora. Acho que esse é a frase mais fácil pros meus sentimentos agora, “da porta pra fora". Não quero ninguém para ocupar o lugar, alias, não quero ninguém mesmo. Agora eu ‘tô’ com vontade de “nada". Fazer nada, sentir nada, lembrar nada, não ver nada, chorar nada, insistir… Nada. Foram escolhas. Escadas. Escada que eu acabei de descer, renunciar o posto. Levantar a bandeira branca, pedir arrego e assumir a derrota. Hoje eu sou nada mais que um pouco de terra no asfalto. Nada mais que nada. Não quero ver ninguém, nem ouvir. Mas engraçado como aquilo não sai da minha cabeça… Como cena de filme, as mãos se separando… Só que sem as mãos. Tudo na minha vida é assim meio incompleto mesmo. Eu sempre fui incompleta. Deve ser mania… Tique, algum TOC, alguma coisa desse tipo. Mania de gostar de ser incompleta. Hoje eu sou um nada, nada mais que isso. Hoje eu só sou eu e mais ninguém, logo, não sou nem a metade de alguma coisa.

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