Então,
assim será e assim que é. Minha ultima lembrança será daquela porta, da porta
pra fora. Não quero nada que me lembre as lembranças que já foram. Não quero
nem que elas me lembrem, pretendo apaga-las, deleta-las. Todas as pessoas, os
lugares, as palavras, os lençóis, as fotos, os vídeos, os textos. Vou ocupar a
cabeça com outras coisas, ir em outros lugares, evitar. Sempre odiei ter que
mudar a minha vida para evitar pessoas, mas vai ser assim… Porque eu fiquei da
porta pra fora. Acho que esse é a frase mais fácil pros meus sentimentos agora,
“da porta pra fora". Não quero ninguém para ocupar o lugar, alias, não
quero ninguém mesmo. Agora eu ‘tô’ com vontade de “nada". Fazer nada,
sentir nada, lembrar nada, não ver nada, chorar nada, insistir… Nada. Foram
escolhas. Escadas. Escada que eu acabei de descer, renunciar o posto. Levantar
a bandeira branca, pedir arrego e assumir a derrota. Hoje eu sou nada mais que
um pouco de terra no asfalto. Nada mais que nada. Não quero ver ninguém, nem
ouvir. Mas engraçado como aquilo não sai da minha cabeça… Como cena de filme,
as mãos se separando… Só que sem as mãos. Tudo na minha vida é assim meio
incompleto mesmo. Eu sempre fui incompleta. Deve ser mania… Tique, algum TOC,
alguma coisa desse tipo. Mania de gostar de ser incompleta. Hoje eu sou um
nada, nada mais que isso. Hoje eu só sou eu e mais ninguém, logo, não sou nem a
metade de alguma coisa.
Adoro ler suas postagem e tem dias que fazem todos os sentidos comigo
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