''Mas você não vê. Não vê, não enxerga, não sente. Não sente
porque não me faz sentir, não enxerga porque não quer. A mulher louca que
sempre fui por você, e que mesmo tão cheia de defeitos sempre foi sua. Sempre
fui só sua. Sempre quis ser só sua. Sempre te quis só meu. E você, cego de
orgulho bobo, surdo de estupidez, nunca notou. Nunca notou que mulheres como eu
não são fáceis de se ter; são como flores difíceis de cultivar. Flores que você
precisa sempre cuidar, mas que homens que gostam de praticidade não conseguem.
Homens que gostam das coisas simples. Eu não sou simples, nunca fui. Mas sempre
quis ser sua. Você, meu homem, é que não soube cuidar. E nessa de cuidar, vou
cuidar de mim. De mim, do meu coração e dessa minha mania de amar demais, de
querer demais, de esperar demais. Dessa minha mania tão boba de amar errado.''
TATI BERNARDI

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