“Abraçamos
o travesseiro, apertamos o cobertor, fazemos de tudo para que fiquemos sem
espaço. Tudo isso porquê sobra espaço. A cama, por menor que seja, se torna
imensa. Falta outro corpo, ou melhor, outra alma. Falta algo.
A noite é
silenciosa e fria, mesmo assim ligamos o ventilador e nos cobrimos, e foda-se a
lógica. A lógica não está no uso correto do ventilador, está simplesmente no
barulho do mesmo, tentando assassinar o silêncio que se torna hediondo. É
aquela coisa do ladrão que rouba ladrão.
Esse silêncio que
rouba a paz, rouba espaço do peito, espaço que sobra na cama, falta aqui
dentro. Fica tudo apertado, peito apertado, garganta apertada, falta até
passagem para o ar.
E ainda há quem
diga que silêncio é bom. O vazio nos incomoda. No estômago faltam borboletas,
no peito espaço, na boca saliva, no copo bebida. O vazio é horrível, o vazio
mata, o vazio é vazio, o vazio dói.
E essa dor não é
nem um pouco boa.
Há quem diga que a
dor é crescimento, que a dor nos eleva, nos leva a lugares onde nunca fomos.
E talvez onde jamais gostaríamos de chegar.”
O Amor quando é verdadeiro e vivido com simplicidade dentro da sua imensurável grandeza, faz de nós seres iluminados para sempre. Não importa o fim. Por que na verdade, ele nunca acaba. Dá-se continuidade através daquilo que se tem como frutos de tanto Amor.

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